Nem tudo verdade, nem tudo mentira.

Quarta-feira, Julho 01, 2009

...OU HAMURETSU

“Rosa - É tudo questão de tempo!
Gilda – Tempo pra quê?
Rosa – De tempo.
Gilda – Ah!
Rosa – É tudo questão de técnica. Já te falei, né?
Gilda – Falou.
Rosa – Então, você entendeu?
Gilda – Não.
Rosa – Ótimo.”

“Marcelo – Ilusão.
Paulo – Hã?
Marcelo – Sua imagem. Ilusão.
Paulo – Ah...
Marcelo – Ter um espelho é a melhor maneira de não andar sozinho. Eu tenho um.”


“Paulo – Sim. Um grupo.
Telmah – O quê?
Paulo – Exatamente.
Telmah – Intrigante!
Paulo – Nem mais, nem menos.
Telmah – E intrigante por quê?
Paulo – Pelos mesmos motivos.”

- Trechos do espetáculo “...Ou Hamuretsu” que estreia dia 25 de julho às 18:30 no Teatro Armazém, na Fundição Progresso - Rio de Janeiro.

SOBRE O ESPETÁCULO
Em “ou Hamuretsu”, um grupo de atores ensaia uma versão japonesa de Hamlet.
Porém a atriz que vive o protagonista se vê diante dos mesmos conflitos de seu
personagem e entra na ilusão de que sua vida se torna mais interessante quando ela faz as mesmas escolhas de Hamlet.
A Cia de Atores Invisíveis desenvolve nesse espetáculo, um "Hamlet” de Shakespeare com a marca de uma linguagem própria e mostra que os conflitos deste clássico são atuais e universais; representam os segredos, dúvidas e escolhas de todos nós.

Direção: Márcio Moreira

ELENCO:

Amanda Olivier
Ana Cecilia Reis
Carlos Veranai
Cristiano Moraes
Kátia Jórgensen
Marcela Rodrigues
Márcio Moreira
Nathália Lemos
Paula Larica
Pedro Naine
Rangel Andrade
Rubens Moreira
* PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: YOSHI OIDA

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Tarô

É assim que as coisas são.

Jogue mil vezes.

Sairão as mesmas cartas.

Sexta-feira, Junho 19, 2009

Maquiada

O sorriso parecia ensolarado,
mas os olhos pintados de preto anunciavam
tempestades e um mar de lágrimas.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Provocação

O egoísmo esbarrou na vaidade que por sua vez arrumou briga com a auto-suficiência que muito machucada foi se encontrar com o ciúme para beberem pinga na rua da amargura.

Terça-feira, Junho 09, 2009

Inocentes

Já sonhamos com bigodes de nuvem e castelinhos de palitos de picolé.
O vento fazia cócegas em nosso rosto. Correr descalço era muito melhor, sentir os dedos livres no chão. Éramos coloridos e o mundo era um imenso e exótico baú.

Agora, nos vestimos de cinza. Levamos a sério demais essa brincadeira de trocar papelzinho por mercadoria. Amamos demais os brinquedos que compramos para disfarçarmos nossa solidão e para aparentar para os outros o quanto somos eficientes e independentes, bonitos e maravilhosos, por termos conseguido tantos brinquedos que disfarçam direitinho o quanto estamos com medo de aparentar medo.

Estamos num jogo chato, não queremos mais brincar. Mas estamos com pavor de sermos castigados pelos monstros grandes que cospem na nossa cara e berram as regras a qualquer custo, nos colocando de castigo, sem todo o conforto dos brinquedos ilusórios que conseguimos através de constante desconforto...

Não entendemos nada, apenas sentimos que algo está errado.
Nunca pareceu tão assustador. Nunca estivemos tão sozinhos.
Nunca estivemos tão quietos.
Tão confusos, tão sedados, tão frágeis.

Tão pequenos.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Hoje eu sonhei que o mundo e as pessoas dependiam única e exclusivamente do meu estado de humor.
Explicando melhor: quando eu ficava feliz, as pessoas eram nítidas e brilhantes e quando eu ficava triste elas se tornavam azuis e desmanchavam.
Quando percebi que elas não eram reais, me emputeci com a farsa, e fiz um longo discurso dizendo que elas eram falsas, que não existiam de verdade, e só dependiam de mim.
Quando olhei ao redor, elas haviam desaparecido.
Só havia eu no mundo.
Tive medo dos escuros, dos silêncios, das luzes e da TV ligada.
Pedi perdão, e todos voltaram.
Agora eu já sabia que era tudo de mentirinha, mas não me importava.
A solidão era pior.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

Hoje eu vi duas mulheres jogarem sete rosas na Baía de Guanabara.
Elas jogaram e foram embora.
Por mim, elas deveriam ter ficado ali, para verem todas as pétalas se soltarem, se perderem e restar apenas o cabo com os espinhos.
Deveriam ter ficado para olhar o barco que atropelou as rosas e as mudou de direção.
Elas foram embora, sem nunca terem ideia do destino daquelas sete rosas.